Sobe?

por Bruno Silva

Pra vocês, qual foi o maior desastre musical dos últimos 50 anos? A selvageria do Punk e seus 4 acordes que fez com que todo mundo pensasse que pudesse tocar? A música eletrônica que de arte de vanguarda passou para “As Melhores da Pan 97″? Ou seriam todas as modas musicais brasileiras de 20 anos pra cá com a Lambada, o Pagode, Axé, Sertanejo, o Funk Carioca? Não sei de vocês, mas pra mim foi a música de elevador.

O Punk, apesar de tudo, gerou coisas muito legais. Quem nunca se divertiu ouvindo Ramones (ou Blink ou Green Day, depende da sua geração) que atire a primeira pedra. Eu pago um pau pra quem consegue fazer uma música com os 3 acordes que você sabe  e fazer ela ficar boa. É difícil se destacar fazendo igual. A não inovação é para os fodas.

Quanto aos bate-estacas (ta escrito certo na nova regra ortográfica?) “Melhores da Pan”, o que seria das nossas queridas domingueiras e matinês dos nossos saudosos 13 anos sem elas? Por mexer com nossa infância, está absolvida.

Não sei se em todos os países é assim, mas é incrível a capacidade do nossa querida terrinha em lançar modas que duram pouco mas a gente sempre lembra daquela porcaria de letra junto com os amigos. Pode começar a se apresentar quem tem seus 20 anos ou mais e não lembra de:

  • Chorando se foi, quem um dia só me fez chorar….
  • Ela ta dançando e o pimpolho ta de olho, cuidado com a cabeça do pimpolho
  • Carrinho de mão batá…
  • Vou choraaaaaar, desculpe mas eu vou choraaaar
  • Bater um papo no café; é papo de jacaré…
  • Vai Lacraia, vai Lacraia!

Confesse, você lembra de pelo menos metade das coisas aí. Não é nenhuma vergonha. De alguma forma mostra como a cultura nacional é dinâmica e rica. Se as músicas são ruins, pelo menos é uma forma de você perceber que o tempo passou e ainda há a esperança de muitas outras pérolas no porvir.

Mas, não consigo engolir a tal da música de elevador.

Acho que tudo começou com alguém usando a milenar lógica do guaraná com maionese. Para quem não conhece, a lógica do guaraná com maionese é a seguinte: guaraná é bom; maionese é bom; —> guaraná + maionese é bom também. Mas então, anguém usando essa lógica pensou: “Jazz é bom. Bossa Nova é bom. Os dois juntos deve ser ótimo.”

Acontece que não é. ^^

Eu gosto bastante de Jazz. Bossa Nova não tanto, mas eu respeito bastante e até ouço algumas coisas. Mas seriamente, existe algo mais tedioso do que uma Bossa instrumental tocada por bateria, teclado e guitarra? Conseguiram tirar todo o swing do jazz e toda o “carioca way of ociar” pra fazer um hibrido sem graça pra gente ouvir no lugar mais sem graça de qualquer lugar.

Elevador é um lugar naturalmente constrangedor. Você pode estar de maior papo com uma pessoa dentro dele, mas chega mais uma e o falatório vira um silencio altamente incomodo. Não quero por a culpa na música, já que boa parte dos elevadores não tem esse “tédio sonoro ambiente”, mas gostaria de sugerir trocar a trilha sonora como experiência. Algo que instigue mais a socialização. Talvez um bate cabeça de vez em quando possa ser saudável…

1 Resposta para “Sobe?”


  1. 1 Lu Fávero Quarta-feira, 21 Janeiro, 2009 às 3:06 pm

    Não lembro da primeira música da lista (embora as outras eu saiba cantar inteirinhas até hoje, mesmo sem ter parado pra ouvi-las em algum remoto momento da minha vidinha besta).

    Particularmente, acredito que músicas de elevador são boas porque são absolutamente democráticas: ninguém gosta e, então, ninguém se sente injustiçado ou privilegiado.

    E imagine se tocassem “pimpolho” durante o trajeto T-28 andar? Tudo poderia ser muito, muito pior…


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