Crepúsculo

Por Lu Fávero

Tenho problemas absurdos com adaptações literárias para o cinema, principalmente quando eu gosto do livro. Quando eu gosto MUITO, então, tudo fica ligeiramente mais complicado: tendo a ser ainda mais chata do que sou de costume – o que tecnicamente é impossível, mas sempre dá-se um jeito. Quando gosto MUITO MUITO MUITO, beirando a idolatria, sou a última pessoa do mundo que deveria ser chamada para um cineminha. “Crepúsculo” já tinha se tornado uma obsessão e, ainda assim – mesmo ciente de todos os riscos envolvidos – meu namorado me convidou para a pré-estréia nacional do blockbuster em cartaz lá fora desde o dia 21 do mês passado. “What a sick, masoquist lion”.

A peculiar fauna na fila do cinema ganhava em variedade da fauna de Forks e La Push somadas e multiplicadas por 20: de emos indies histéricas a bombados com a camiseta do “crepúsculinho”, não ficaram de fora nem os medonhos cartazes de “Edward eu te amo” que seriam mostrados pra tela do cinema. Pelo menos não vi ninguém com dentaduras vampirescas de plástico. O filme estava pra começar (depois dos 22 comerciais de lojas falidas do shopping) quando acabei de fazer o registro mental da população alternativa daquela selva em particular, que também incluía patys acéfalas e sem acuidade visual que foram ver o filme “ porque o Robert Pattison é liiiiiiiiindo”. Enfim surgia na grande tela, como anúncio da tão aguardada adaptação, um veadinho saltitante prestes a ser tornar uma apetitosa refeição.

A mártir-adolescente Isabella Swan deixa a ensolarada Phoenix e muda-se para a extremamente úmida Forks porque acredita que isso fará sua mãe mais feliz. E é na minúscula cidadezinha de pouco mais de 3 mil habitantes que, de guria invisível que gosta de poucas pessoas, Bella se vê transformada na possível matéria de capa do jornal da escola. Bla-bla-bla e cenas no refeitório, ela percebe a existência dos Cullen – família absolutamente reservada e ligeiramente mais pálida que a protagonista, que, não fossem os cabelos e olhos castanhos, passaria facilmente por albina. Em especial, nota Edward (a personificação da perfeição, segundo a autora da série de Crepúsculo) – que se tornará seu parceiro nas aulas de biologia e que, aparentemente, cria ojeriza instantânea a graciosa Bella. E, como toda mortal normal, ela resolve teimosamente se apaixonar pela criatura absolutamente fascinante com quem observa fases da divisão celular num microscópio. Ta-da, temos a história: vampiros, Google, lobos e sexo, muito sexo. (mentiraaaaa).

Quem leu o livro, conhece a história inteira. Quem não leu e não vai ler, procure um resumo no Google – não vou aqui analisar o enredo do filme, que é praticamente a mesmíssima história do livro. E se você não quer mais informações sobre Crepúsculo, não continue lendo. Dados os avisos, vou continuar.

1) Fiquei absolutamente extasiada com as interpretações, principalmente de Robert e Kristen Stewart. A química entre os dois atores era absolutamente convincente e eu acreditei que via mesmo Edward Cullen e Bella Swan na grande tela. (Ok, a Bela Swan do filme era ligeiramente mais imbecil do que imaginava – mas mesmo assim, ta valendo).

2) Achei absolutamente desnecessária a aparição da Stephanie Meyer no restaurante. Tudo bem, para muitos ela passou simplesmente por uma cliente ruiva. Mas eu achei uma tentativa muito Paulo Coelho de auto-promoção.

3) A montagem e parte da fotografia ficaram absolutamente “Dexter” (a série do serial-killer, sabe?).

4) A trilha sonora ficou muito-muito foda.

5) Eu fui obrigada a rever meus conceitos (pejorativos) sobre a cena da árvore. É, ela ficou muito boa (embora minha primeira impressão sobre Edward subindo numa árvore não tenha sido nada positiva).

Para finalizar: amei o filme. Não, ele não é o livro. É um filme, e isso é básico. É um filme pensado pra ser blockbuster e ganhar dinheiro, o que é outro fato básico. É um filme voltado para o público adolescente, o que faz com que a trama seja construída de uma forma diferente da que eu imaginava. Mas é um bom filme, para sua categoria.

E não, os meus neurônios não ficaram gritando “Edward! Oh, Edward…”.

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